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sábado, 21 de fevereiro de 2009

PASSADO, PRESENTE, FUTURO E MORTE

O Buda é, sabe que ele é, e também sabe quem ele é. Esses são os três estágios do crescimento: a besta, o homem e o Buda. A besta tem apenas uma dimensão: ela é, ela existe, completamente inconsciente de que ela existe. Por isso ela não pode pensar em morte. A morte não é um problema para a besta. A morte somente pode se tornar um problema quando você sabe que você é.

Com esse conhecimento surge o medo de que um dia você pode deixar de ser. Porque houve um tempo em que você não era e haverá de novo um tempo em que você deixará de ser. A sua existência é momentânea. Você pode desaparecer a qualquer momento. Você desaparecerá algum dia. A morte está por acontecer. É somente o homem que sabe a respeito da morte.

É por isso que o homem cria a religião. Religião é a resposta do homem diante da possibilidade da morte. É o esforço do homem para vencer a morte. Nenhum animal é religioso, não pode ser. Sem a consciência da morte, não há possibilidade de religião. Mas antes que você se torne consciente da morte, você terá que se tornar consciente de que você é. Esse é o pré-requisito básico.

Assim o homem sabe que ele é, e também se torna consciente e apreensivo de que a qualquer momento ele deixará de ser. O tempo é curto. Para a besta o tempo é não-existencial, o tempo não existe. A besta vive num mundo sem tempo, vive a cada momento. Não pensa no passado nem imagina acerca do futuro.

O homem não consegue viver no presente. Ele pensa no passado e em toda a sua nostalgia. Nos dias que foram dourados e que não são mais. E pensa, imagina, fantasia a respeito do futuro, de como os dias deveriam ser.

O homem pensa no passado e no futuro. As bestas vivem apenas no presente. Mas elas não estão conscientes de que isso é o presente. Elas não conseguem ser conscientes do presente. Somente quem é consciente do passado e do futuro, pode ser consciente do presente, porque o presente está espremido entre o passado e o futuro.
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE

Livro: Religiosidade é diferente de religião (trecho do cap.01)


Religião não é o que as pessoas pensam que seja. Não é cristianismo, não é hinduísmo, não é islamismo. A suposta religião é uma rocha morta. Eu não ensino religião, mas religiosidade: um rio que flui, mudando continuamente seu curso, mas que finalmente chega ao oceano.

Uma rocha pode ser muito antiga, muito experiente, mais velha que qualquer Rigveda*, mas uma rocha é uma rocha, e está morta. Ela não se move com as estações, não se move com a existência; ela está simplesmente aí. Você já viu alguma rocha cantando ou dançando?

Para mim, religião é uma qualidade, e não uma organização. Todas as religiões
que existem, e elas não são em número pequeno – há trezentas religiões no
mundo –, todas elas são rochas mortas. Elas não fluem, não mudam, não se
movem com os tempos. E qualquer coisa que esteja morta não vai ajudar você, a
menos que queira fazer um túmulo; então talvez a rocha possa ser útil.

Todas as assim chamadas religiões têm feito túmulos para você, destruindo a sua
vida, o seu amor, a sua alegria e enchendo a sua cabeça com fantasias, ilusões e
alucinações a respeito de Deus, do céu e do inferno, da reencarnação e de todos
os tipos de asneira.

Confio na fluência, na mudança, no movimento... porque essa é a natureza da
vida. Ela conhece apenas uma coisa permanente, que é a mudança. Só a
mudança nunca muda, todo o resto muda. No outono, as árvores ficam nuas;
todas as folhas caem sem reclamação; silenciosamente, em paz, elas se unem
outra vez à terra de onde vieram. As árvores nuas contra o céu têm uma beleza
própria, e deve haver uma tremenda confiança em seus corações, pois elas
sabem que, se as folhas velhas foram embora, as novas virão; e logo folhas
novas, mais jovens e mais delicadas, começam a surgir.

Uma religião não deveria ser uma organização morta, mas um tipo de religiosidade,
uma propriedade que inclui verdade, sinceridade, naturalidade, um profundo
relaxamento em relação ao cosmos, um coração amoroso, uma afabilidade para
com o todo. Para isso, nenhuma escritura sagrada é necessária.

Na verdade, não há escrituras sagradas em lugar nenhum. As assim chamadas
escrituras sagradas nem mesmo provam ser boa literatura. É bom que ninguém as
leia porque elas estão cheias de pornografia.

Uma religiosidade autêntica não precisa de profetas, salvadores, livros sagrados,
igrejas, papas ou sacerdotes, porque religiosidade é o florescer do seu coração, é
chegar ao centro do seu próprio ser. E, no momento em que você chega ao centro
do seu próprio ser, há uma explosão de beleza, de bênção, de silêncio, de luz.
Você começa a se tornar uma pessoa totalmente diferente. Tudo o que era escuro
em sua vida desaparece, e tudo o que era errado também desaparece. O que
quer que você faça é feito plenamente e com absoluta consciência.

Eu conheço apenas uma virtude, que é a consciência. Se a religiosidade se
espalhar por todo o mundo, as religiões desaparecerão. E será uma enorme
bênção para a humanidade quando o homem for simplesmente homem, nem
cristão, nem muçulmano, nem hindu. Essas demarcações, essas divisões, têm
sido a causa de milhares de guerras ao longo da história. Se você revir a história
do homem, não poderá resistir à tentação de dizer que vivemos no passado de
uma maneira insana. Em nome de Deus, em nome das igrejas, em nome de
ideologias que não têm evidência alguma, as pessoas têm matado umas às
outras.

A religião ainda não aconteceu no mundo. A menos que a religiosidade se torne o
próprio ambiente da humanidade, não haverá religião. Mas eu insisto em chamá-la
de religiosidade para que não se torne organizada. Você não pode organizar o
amor. Já ouviu falar em igrejas de amor, templos de amor, mesquitas de amor? O
amor é um caso individual com outro indivíduo. E religiosidade é um caso de amor
maior do indivíduo em relação ao cosmos.
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